
Mario Neto Borges - 24/11/2009
Entrevista concedida pelo presidente do Confap e da Fapemig à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará – Fapespa. Mario Neto Borges fala sobre o Conselho, suas redes de parceria e o que vem pela frente.
Em sua avaliação, quais os principais avanços que têm sido alcançados pelo Confap?
O Confap é um conselho muito novo, com apenas três anos de existência. Mesmo assim, avançou em muitos aspectos, entre os quais podemos destacar uma articulação forte entre as 23 Faps hoje existentes no país e a inserção do Conselho nos órgãos e entidades de C,T,I nacionais. De forma especial, deve ser mencionada a relação com o Ministério da Ciência e Tecnologia e suas agências, nas quais o Confap tem assento nas instâncias de decisão.
Através do Confap, as Faps vêm fazendo parcerias como a criação de redes de pesquisa. Como a nova presidência pretende tratar esta tendência?
A parceria entre as Faps e as agências federais de C,T,I tem uma história que começou há alguns anos através da interlocução do Fórum das Faps. O Fórum foi o antecessor do Confap, e essa relação tem sido bem sucedida. Então, porque não estender esse tipo de relação entre Faps que possam ter áreas de interesse comum? Começou, assim, uma movimentação no sentido de criar essa nova modalidade de cooperação. As razões de incentivar essas parcerias são muitas e podemos destacar a otimização de recursos e a articulação entre instituições e pesquisadores, acelerando a produção de novos conhecimentos e de soluções de interesse da sociedade.
Quais as principais redes em andamento atualmente, e como elas têm sido trabalhadas?
Um exemplo, entre outros bem sucedidos, é a Rede Nacional de Malária que congrega sete Faps e ainda conta com a participação do CNPq e do Ministério da Saúde. Também foram lançados, recentemente, editais para a formação da Rede Dengue e outro para projetos de divulgação científica. A nova presidência vai colocar essa iniciativa de parceria entre as Faps como uma das metas prioritárias da gestão 2009-2010.
Sobre a crise financeira global, como o Confap vê a situação e suas respectivas saídas para o setor da pesquisa e inovação no Brasil?
A crise é mais uma oportunidade para a sociedade compreender que não existe desenvolvimento sustentado sem “lastro”. Toda vez que o crescimento é resultado de “bolhas” do sistema econômico acaba como esta última experiência; ou seja, em desastres que resultam em grandes prejuízos, especialmente para os menos favorecidos. Portanto, é preciso entender que o verdadeiro desenvolvimento se dá com investimentos maciços e perenes em educação, ciência, tecnologia e inovação, que são valores capazes de gerar riqueza e oportunidades para as nações. Esperamos disseminar esses conceitos e princípios para que a sociedade, dirigentes e políticos valorizem cada vez mais o trabalho que as Faps têm a cumprir neste contexto.
O Confap está completando três anos, desde que foi criado, em 2006. Um órgão tão novo já tem suas funções e metas bem estabelecidas? Em sua visão, quais seriam estas metas e objetivos?
Como já havia antecipado, o Confap é o sucessor do Fórum das Faps, criado há mais tempo. Mesmo sendo uma entidade nova, ele é o resultado da associação de fundações que já estão há muitos anos nas atividades de C,T,I como, por exemplo, a Fapergs e a Fapesp, com mais de 40 anos, ou mesmo a Faperj e a Fapemig, com mais de 20 anos. Assim, a criação do Fórum, transformado em 2006 em Conselho, é resultado da visão de que, juntas e articuladas, as Faps podem ser mais fortes e atingir mais rapidamente suas metas. Eu diria que o detalhamento de metas e objetivos é um processo em construção e que vamos aperfeiçoar a cada encontro. No entanto, alguns elementos serão priorizados pela nossa gestão. Entre eles, destacaria o incentivo à formação de parcerias (redes) entre Faps nos assuntos de interesse comum; aperfeiçoamento da relação com o Consecti, visando o fortalecimento do Sistema Nacional de C,T,I; ampliação das relações com os órgãos federais (MCT, CNPq, Finep; MS, Decit; MEC, Capes) e fortalecimento das parcerias internacionais já existentes, abrindo novas possibilidades. Isso é importante para criar oportunidades aos nossos pesquisadores e atrair recursos adicionais, tanto nacionais quanto internacionais, para a pesquisa.
Pesquisa na Amazônia. Como esta região é vista pelo Confap em sua gestão?
A região é vista como de extrema importância e altamente estratégica para a soberania nacional. Eu iria mais longe, dizendo que a região é um celeiro de riquezas ainda a serem pesquisadas e transformadas, como, por exemplo, a biodiversidade; o que só se dará com uma estrutura adequada para pesquisa e desenvolvimento na região. Dessa forma, é meta do Confap não só fortalecer e integrar as Faps hoje existentes na região, como a Fapeam, a Fapema e a recém criada Fapespa, mas, também, induzir a formação de Faps nos estados dessa região que ainda não as têm.
Como o senhor vê a necessidade de uma divulgação mais ampla de C,T&I, a fim de fazer chegar estas informações em camadas mais populares da sociedade?
Essa é uma questão fundamental para o país, se quisermos atingir um patamar de desenvolvimento que nos coloque entre os países plenamente desenvolvidos do planeta. Portanto, essa questão precisa ser abordada sob dois ângulos. O primeiro, como já mencionei, é fazer a sociedade entender a importância da C,T,I como pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável. Só assim este pilar será permanentemente valorizado e intocável pelos que tomam decisões sobre recursos e investimentos. Segundo, é preciso que toda sociedade tenha acesso a esse patrimônio científico e tecnológico, de forma que as pessoas leigas em ciência possam compreender esses valores, deles usufruir e, dessa forma, ajudar a preservá-los.
